Apesar do enorme clima de agitação política e social naquele verão de 1936 em Espanha, devido ao carácter peculiar do carisma da Ordem da Cartuxa (Ordem religiosa fundada em 1084 por S. Bruno, de vida contemplativa, de carácter eremitico) os monges cartuxos de Santa Maria de Montalegre, continuavam, pacificamente, na sua habitual vida de oração e recolhimento, na solidão e silêncio do seu mosteiro.
Visão geral da Cartuxa de Santa Maria de Montalegre, em Espanha: ainda hoje um mosteiro habitado pelos monges da Ordem da Cartuxa.

Cartuxa de Santa Maria de Montalegre: uma escola de santos.
O resto da comunidade, entre gritos constantes, ameaças de morte permanentes, blasfémias contra o Santo nome do Senhor, empurrões, bofetadas, e golpes dados com as culatras das espingardas, percorriam a estrada a caminho de Badalona. Foi com emoção que poucos quilometros andados, vieram a encontrar os dois corpos na estrada: o cadáver do padre Procurador e o bastante ferido padre Prior. Procuram então, também eles, prepararem-se para o martírio. Animavam-se mutuamente, e em voz baixa, confessavam-se e recebiam a absolvição, e nutriam o fervor rezando jaculatórias. Uma verdadeira via-sacra a caminho da Glória da Cruz.

Apareceu então um autocarro, para o qual fizeram entrar os monges, e nele entraram em Badalona. O pe. Abella (monge cartuxo sobrevivente) recorda: "Quiseram fazer crer às gentes de Badalona que nos tinham tratado cordialmente, fazendo-nos chegar em autocarro, enganando assim o povo crédulo e agravando os seus crimes com o da hipocrisia da simulação". Ao chegar a Badalona cresceu o perigo. Correu o boato entre os milicianos que muitos dos seus colegas assaltantes da Cartuxa tinham sido mortos pela defesa armada que os monges fizeram. Uma multidão junto ao Ayuntamento (onde os monges ficaram presos), gritavam: "Morte aos Frades"; "Fuzilem os monges"! previa-se um desenlace trágico e inevitável. Todas as igrejas de Badalona ardiam. O ódio aos católicos da cidade e região estava no vértice da loucura. Perante este cenário o Alcaide de Badalona, o "Badaloni" e o Sr. Mora, de espingardas na mão, encararam energicamente os milicianos e impuseram a sua autoridade, dizendo que o Comité Revolucionário determinaria a sorte dos cartuxos. O Comité reuniu-se às cinco da manhã para deliberar. A opinião vencedora, foi a de que se deveria poupar a vida aos cartuxos, somente por muitos deles serem de nacionalidade estrangeira, apesar da oposição dos comunistas e anarquistas. Procurou-se assim, encontrar familias que acolhessem os cartuxos, mas os anarquistas sentiam-se enganados pelo Comité, não aceitando a decisão.
Os consulados de França, Itália, EUA, Alemanha e Suiça aceitaram recolher vários dos monges, todos estarngeiros, bem como alguns espanhois. Depois de vários incidentes, esses chegaram por fim às Cartuxas de Farneta, Florença, Pisa, Pavia e Trisulti (Itália), Montrieux e Sélignac (França) e Valsainte (Suiça). A maioria dos espanhois foi colocada ao cuidado de famílias cristãs que se prediposeram a acolhe-los, apesar de correrem igualmente grande perigo por esse facto. Mas mais coroas de espinhos de martírio haveriam ainda de ser entregues.
A 5 de agosto, o irmão Guillermo Soldevila foi violentamente retirado da família que o tinha acolhido por um grupo de milicianos comunistas. Colocaram-no em cima de um automovel, onde foi fuzilado, seu rosto desfigurado, e enterrado em lugar desconhecido. Seu corpo nunca mais foi encontrado.
O padre manuel Balart, a 9 de outubro foi denunciado por um vizinho aos milicianos. Foi transferido para a checa (prisão privada das milícias) de San Elías, onde se encontrou com outros dois cartuxos: Pe. Luis Selláres e o padre Agustín Navarro, que juntos, foram cruelmente torturados. A 15 de outubro, levaram-os para serem executados. Seu delito: Ser e dar testemunho de Fé. Seus corpos permanecem ainda hoje numa fossa comum em local desconhecido.

Monge cartuxo estuda a Sagrada Escritura na solidão e silêncio da sua cela. (imagem do filme "Die Grosse Stille: O Grande Silêncio)
Retrocedamos no entanto no tempo, e voltemos aquela sinistra estrada da Cartuxa de montalegre até Badalona. Ali, a Cruz Vermelha, recolheu os feridos e mortos na mesma ambulância. Os feridos foram transportados ao Hospital e os mortos ao cemitério de Badalona. Dos feridos, todos com garvidade, estavam: o padre Prior, pe. Juan Bautista Cierco, que ficou internado 8 meses no Hospital de Badalona; o padre Vigário, pe. Miguel Dalmau e o Mestre de Noviços, pe. Benigno Mardnez. Depois do Hospital, onde receberam um acolhimento e atendimento generoso, foram transferidos para a prisão de Barcelona, em que depois de passarem sete meses de castigos vários, foram reincorporados na Ordem Cartuxa em junho de 1938, os padres Priores e o Mestre de Noviços.
Os mortos, foram enterrados inicialmente na capela do cemitério velho de Badalona, e hoje em dia, as relíquias dos padres Celestin e Isidoro são guardadas na Cartuxa de Montalegre.
Em baixo estão os monges cartuxos de Montalegre, assassinados em 1936, martirizados pelo seu amor a Cristo e à Santa Igreja Católica. Vítimas inocentes da intolerância e do ódio do ateismo organizado. A Ordem da Cartuxa considera-os como Mártires, mas o seus nomes não aparecem no santoral da Igreja Católica. Os cartuxos, humildes até ao extremo, consideram seu sacrifício como uma oferta gratuíta de amor a Deus e aos homens. Sua recompensa é gozar para todo o sempre da presença de Deus e continuar intercedendo por todos nós.
Santos inocentes Mártires Cartuxos: rogai por mim que sou um mísero pecador!
Padre Celestin Fumet, 20.07.1936;
Padre Isidoro Pérez, 20.07.1936;
Padre Manuel Balart, ?.10.1936;
Padre Agustín Navarro, 15.10.1936;
Padre Luis Sellarés, 15.10.1936;
Frei Guillermo Soldevila, ?.10.1936.

















A 27 de novembro de 2010, teve lugar na igreja paroquial dos Sagrados Corazones em Madrid, a cerimónia de imunação do Servo de Deus Pe. Mario Ros Excurra e outros 4 companheiros da mesma congregação religiosa, também mártires da perseguição religiosa espanhola de 1936. A cerimónia foi presidida pelo bispo D. Ricardo Bosom, delegado episcopal e presidente do Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Madrid. Esteve presente o provincial de Espanha, o Pe. Ignacio Moreno e imensos membros da congregação, sacerdotes, irmãos e irmãs. Após a celebração, realizou-se uma oração de Acção de Graças pelos Mártires.
Aspecto da capela de São Damião de Molokai, na igreja dos Sagrados Corazones em madrid. Na parede ao fundo, as placas indicam onde repousam os corpos dos mártires da Santa Igreja.



"Anda seu porco, depressa!" diziam os carrascos. "Por mais que me façais, eu vos hei-de perdoar" dizia o bispo. Um dos anarquistas golpeou-o furiosamente na boca com um azulejo, e lhe disse: "Toma lá a comunhão!". Extenuado, chegou ao lugar da execução, que foi no cemitério de Barbastro.
Igreja paroquial do Beato Florentino Asensio, em Valladolid.
Mosaico do Beato Florentino Asensio, na capela da Sede da Conferência Episcopal espanhola. 












