No país vizinho de Espanha na década de 30 do século XX, produziu-se uma violentíssima e cruenta perseguição religiosa: 13 bispos, 4184 sacerdotes, 2365 frades e monjes, 283 irmãs, e milhares de leigos foram assassinados "in odium fidei", a esmagadora maioria no decorrer da Guerra Civil Espanhola. A tragédia, apesar de toda a dor, constítui uma das páginas mais gloriosas da Santa Igreja Católica com o martírio de uma multidão de santos e santas que por amor a Deus e à sua Igreja deram a suas vidas, e dos quais sou afinal, irmão na Fé pela graça do Baptismo. Este espaço é a todos eles e elas dedicado! Que a intercessão destes santos e beatos junto de Nosso Senhor Jesus Cristo me ajude a ser um cristão coerente e verdadeiro neste nosso século XXI!

Não é minha pretensão com este blog julgar os assassinos ou seus herdeiros ideológicos. Ao Senhor pertence o julgamento. Eu, que apenas ambiciono ser um simples seguidor de Cristo na sua Igreja, cabe-me perdoar, tal como o fizeram aos seus carrascos estes mártires espanhois que aqui vão ser apresentados. Faço minhas as palavras do cardeal vietnamita Nguyen Van Thuân - que passou 12 anos em prisões comunistas - quando dizia "não me sentiria cristão se não perdoasse".

Nesta nossa sociedade de 2012, de indiferentismo religioso, hiper-consumista, hedonista e abandono de valores cristãos, foi Graças à "descoberta" das histórias individuais de todos estes mártires, à sua imolação, ao seu holocausto; que dei por mim num caminho de conversão. Re-encontrei-me com Jesus Cristo e com a Santa Igreja Católica.

"Por causa do Meu nome, sereis odiados em todas as nações" (Mc 13,13).

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Franciscanos de Consuegra (Toledo) - mártires

Ao iniciar-se a Guerra Civil Espanhola, a comunidade franciscana de Consuegra (Toledo) era a sede dos estudantes de Teologia da provincia de Castela, e formava-se com 32 religiosos: 9 sacerdotes, 19 estudantes e 4 irmãos. 28 deles sofreram o martírio, em diversos locais e em datas distintas desse ano de 1936. A comunidade franciscana de Consuegra era verdadeiramente uma comunidade exemplar. O facto de ser maioritariamente uma comunidade de frades estudantes na sua fase final de formação, tornava-a bastante jovem em termos de médias de idades. O apostolado sacerdotal, a docência e o estudo da teologia, preenchiam de vida aquela comunidade de bons frades franciscanos, em que se sentia a felicidade da vocação franciscana e sacerdotal. Os religiosos sentiam-se centrados e felizes; a piedade e a entrega às suas tarefas era exemplar, e o entusiasmo dos jovens na sua formação, seu ideal apostólico e missionário, era exemplo em toda a Espanha. Os franciscanos eram bem vistos na povoação, que era muito devoto e religioso, mas as autoridades locais atuaram de acordo com ordens recebidas do Governo da República, que se tinha proposto a fazer desparecer de Espanha o catolicismo.

A 21 de julho de 1936, as autoridades apoderaram-se de todas as igrejas e proibiram  todas as celebrações religiosas, mesmo que fossem celebradas à porta fechada. O Padre Guardião, Pe. Frei Victor Chumillas, do convento franciscano teve de entregar à força as chaves da igreja. De 21 a 24 de julho, os frades franciscanos permaneceram no convento, mas sem poder sair, e cercados por guardas. Passaram esses dias em oração permanente, confessaram-se, e celebraram a Santa Missa em outras dependências do convento.

No dia 24, foram expulsos do convento. O último a sair foi o Pe. Victor Chumillas, Guardião, que entregou as chaves aos agentes municipais. Os religiosos ficaram então hospedados em casas de familiares e benfeitores. Nesses dias de hospedagem, levaram uma vida serena, de oração, sem tentar fugir ou esconderem-se dos seus perseguidores.
Na tarde e noite do dia 9 de agosto, e na manhã do dia 10, foram detidos 28 dos 32 franciscanos. Esses quatro seriam detidos no dia 11. Os frades franciscanos, sem protestar nem resistir, mas conscientes de que os conduziam à morte, seguiram os agentes que os levaram para a prisão municipal. A permanência deles aí, ficou registada pelo Pe. Frei Victor Chumillas no seu breviário. Todos se mostravam honrados por terem sido escolhidos pelo Senhor a morrer por Ele, e na prisão municipal, ali reunidos, se abraçavam, pediram mutuamente perdão e receberam do seu superior a absolvição. Durante a noite, realizaram confissões, oraram e renovaram os votos das promessas religiosas e sacerdotais. O Pe. Victor Chumillas exortou-os a sofrer o martírio por Deus, e todos ficaram com o ardente desejo de o padecer, e retiraram-se para descansar dizendo: "Senhor, o nosso coração está preparado. Venham quando quiserem a dar-nos a morte, que nós esperamos firmente na vida eterna das mãos de Deus misericordioso".


                                               o Pe. Frei Victor Chumillas, OFM, mártir

Tendo ingressado na prisão os demais franciscanos no dia 11, foram todos transferidos para a igreja de Santa María, antigo convento franciscano, convertida em prisão. No dia 14 foram libertados 3 religiosos de idade avançada e um dos estudantes de Teologia, natural de Consuegra.
Depois da meia-noite de 15 para 16, os franciscanos foram retirados da igreja-prisão. Enquanto saíam, o Pe. Benigno Prieto dizia: "Não vos assusteís, Irmãos, que vamos para o Céu"! Imediatamente, os inimigos da Igreja, mandaram que saíssem do grupo, os naturais de Consuegra, e os Irmãos não sacerdotes, no total de oito, que seriam assassinados a 19 de agosto e a 20 de setembro. Aos vinte frades restantes, foram forçados a subir a um camião. Depois de todos a bordo do camião, um dos chefes dos ateus perseguidores gritou: "O Domingo Alonso pode sair", pois parecia que um seu amigo o queria livrar da morte certa. Mas ele respondeu: "Domingo não saí, pois Frei Domingo Alonso vai onde forem os eus Irmãos".

Escoltado por vários automóveis, onde ia o própria presidente do munícipio (Alcaide) e vários outros membros do munícipio (ayuntamiento), o camião iniciou a sua marcha. Saíu de Consuegra, passou por Urda, e deteve-se num local chamado Boca de Balondillo, já no munícipio de Fuente el Fresno (Ciudad Real). Os frades franciscanos que iam a rezar em voz alta pelo caminho, foram então forçados a descer do camião e a colocarem-se em fila, ao lado da estrada. O Pe. Victor Chumillas pediu ao Alcaide para que desatassem os pulsos aos frades, para que pudessem morrer com os braços em cruz, mas o pedido não foi concedido. Pediu então que fossem fuzilados de frente, ao que o Alcaide acedeu. Nesse momento, o Pe. Victor Chumillas disse aos seus companheiros: "Irmãos, elevai os vossos olhos para o céu e rezai o último Pai-Nosso, pois em breves momentos estaremos no Reino dos Céus, e perdoai aos que nos dão a morte"! E disse ao Alcaide: "estamos dispostos a morrer por Nosso Senhor Jesus Cristo"! Frei Saturnino ainda gritou: "Perdoa-lhes Senhor, pois não sabem o que fazem"! E começou a descarga de tiros.

      Cruzeiro colocado no local da imolação dos Franciscanos de Consuegra.
               Diz: "Pe. Victor Chumillas e seus XIX companheiros Franciscanos, 16.06.1936"

Enquanto as balas eram disparadas, vários foram os frades franciscanos que gritavam: "Viva Cristo Rei!"; "Viva a Ordem Franciscana"; "Viva Jesus Cristo"!; "Perdoa-lhes Senhor"! Era aproximadamente 03H45 da madrugada do dia 16 de Agosto de 1936. Os corpos foram recolhidos já de dia, levados num camião e sepultados no cemitério deFuente el Fresno. Uma cruz de mármore, com uma breve inscrição recorda hoje o martírio destes nossos Irmãos na Fé em Jesus Cristo.


A 28 de outubro de 2007, estes santos mártires cristãos, membros da família franciscana, foram beatificados pela Santa Igreja Católica em Roma.

Santos mártires Franciscanos de Consuegra, vós que destes testemunho com a vossa própria vida às mãos dos ateus marxistas, intercedei por mim a Deus Pai, pois sou um miserável pecador!

Estes são os nomes dos inocentes beatos mártires franciscanos de Consuegra:
01. Víctor Chumillas Fernández, OFM;
02. Ángel Hernández-Ranera de Diego, OFM;
03. Domingo Alonso de Frutos, OFM;
04. Martín Lozano Tello, OFM;
05. Julían Navío Colado, OFM;
06. Benigno Prieto del Pozo, OFM;
07. Marcelino Ovejero Gómez, OFM;
08. José de Vega Pedraza, OFM;
09. José Álvarez Rodríguez, OFM;
10. Santiago Mate Calzada, OFM;
11. Andrés Majadas Málaga, OFM;
12. Alonso Sánchez Hernández-Raner, OFM;
13. Anastasio González Rodríguez, OFM;
14. Félix Maroto Moreno, OFM;
15. Federico Herrera Bernejo, OFM;
16. Antonio Rodrigo Anton, OFM;
17. Saturnino Río Rojo, OFM;
18. Ramón Tejado Librado, OFM;
19. Vicente Majadas Málaga, OFM;
20. Valentín Díez Serna, OFM.

Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Beata María de los Ángeles Ginard Martí - mártir

Nos dias prévios à Guerra Civil Espanhola, a Irmã María de los Ángeles Ginard Martí estava bem consciente da perseguição religiosa que se adivinhava, e mostrava-se serena, tranquila, disposta a testemunhar a sua fé com a vida. Às suas Irmãs da congregação, encorajava-as a permanecerem firmes na fé, e dizia-lhes: "Tudo o que nos podem fazer é matar"!

No dia 20 de julho de 1936, as religiosas tiveram que sair do convento vestidas de seculares. A Irmã María de los Ángeles Ginard Martí foi acolhida por um casal católico e piedoso, os Medina-Ariza, que viviam na rua Monte Esquinza em Madrid, de frente para o convento. Deste refúgio, pode observar com dor, como os milicianos do ateísmo organizado (anarquistas e comunistas) saqueavam e pilhavam o convento, destruindo todas as imagens religiosas, e outros objectos da capela.

Nesta situação viveu até ao dia 25 de agosto de 1936, quando uns milicianos da FAI (Organização anarquista espanhola) entraram em casa, por denúncia do porteiro do prédio, e a prenderam. Ao prenderem-na, detiveram também uma irmã da dona da casa, e a Irmã Maria de los Ángeles, cheia de serenidade e de caridade para com os seus perseguidores, afirmou: "Esta senhora não é freira. Deixem-na, pois a única freira aqui sou eu". E assim, salvou a vida áquela mulher.

Detida, levaram-na à checa (prisão privada e clandestina dos milicianos) na Faculdade de Belas Artes, e ao anoitecer do dia seguinte, ofereceram-lhe um "passeio" até Dehesa de la Villa, onde os ateus radicais a fuzilaram e deixaram abandonada. Na manhã do dia 27 de agosto de 1937, recolheu-se o cadáver desta cristã martirizada, tendo sido enterrada no cemitério de La Almudena, em Madrid.


Terminada a Guerra, foi identificado a sepultura, e no ano de 1941, foram transladados os seus restos para o panteão da Irmãs Zeladoras do Culto Eucarístico, no mesmo cemitério, onde permaneceram até 19 de dezembro de 1985, para onde foram transladados para o convento onde ela viveu, situado na Rua Blanca de Navarra, em Madrid. No dia 3 de fevereiro de 2005, foi beatificada.

E são assim os santos, beatos e beatas da nossa amada e Santa Igreja Católica. Tenho aprendido muítissimo e crescido na Fé ao fazer este Blog. Que o Senhor tenha piedade de mim, pois sou um miserável cristão, tantas vezes envergonhado da sua fé! Que me faça digno destes meus irmãos e irmãs, que me antecederam na Igreja!

Sábado, 5 de Maio de 2012

Uma leiga católica - Sem olhos nem língua!


Luísa María Frias Cañizares, de 40 anos, era professora na Universidade de Valência. O seu calvário começou na noite de 5 para 6 de dezembro de 1936, quando uns milicianos comunistas a levaram para Paterna:
"Não se queixou por um único momento naqueles momentos críticos: soube ser valente e corajosa, animada até, sem nunca ocultar a sua condição de cristã, facto pelo qual foi violentamente ultrajada. Antes de morrer, torturaram-na, retirando-lhe os olhos, e cortando-lhe a língua, pois gritava com valentia: «VIVA CRISTO REI!»" (v.c.o.)

Luísa María Frias Cañizares nasceu em Valência, Espanha, a 20 de Julho de 1896 e foi batizada no dia 25 do mesmo mês. A 5 de Fevereiro de 1902 recebeu o sacramento da Crisma e a primeira Comunhão logo da festa da Ascensão do Senhor, em 1908, na Colegial de São Bartolomeu de Valência.

Depois de ter frequentado a escola primária e secundária ela inscreveu-se na universidade e obteve os seus diplomas de Filosofia e de Letras, vindo a ser, quase logo a seguir, ainda muito jovem, professora na mesma universidade.

Católica fervorosa, ela formou, no seio da mesma universidade, um grupo da Acção Católica para os jovens valencianos e da mesma maneira sempre se disponibilizou na sua paróquia, onde ela era tudo para todos.

Maria Teresa sendo muito devota, não podia passar sem a oração fervorosa de cada dia, assim como não podia deixar de assistir à Santa Missa todos os dias. Os seus actos de caridade eram também quotidianos mas sem ostentação.

Quando começou a Guerra Civil e a perseguição religiosa que a Espanha atravessou, ela foi “chamada” a derramar o seu sangue e a dar a sua vida, para defender a verdade de Cristo, como tantos outros e como estes nenhum outro crime cometera do que apenas de ser cristã e católica.

Presa e, sem o mínimo julgamento ― aliás de que a poderiam acusar? ― ela foi conduzida, a 6 de dezembro, perto do Picadero de Paterna, de triste memória para os católicos, e ali foi fuzilada, depois de torturada selvaticamente.

No dia 11 de Março de 2003, o Santo Padre João Paulo II elevou-a às honras dos altares ― beatificando-a ao mesmo tempo que outras 233 outras vítimas da loucura mortífera da revolução ― prestando assim uma homenagem publica à coragem desta professora universitária que não hesitou a derramar o seu sangue por Jesus Cristo. Ela tinha então 40 anos.

A sua festa litúrgica foi fixada para o dia do seu martírio: 6 de Dezembro.

Beata Luísa María Frias Cañizares, que sem medo destes testemunho com a vida por seres cristã, ajuda-me a não me deixar prender pelos apelos hedonistas e consumistas desta minha sociedade relativista que esqueceu Deus!!!



Segunda-feira, 26 de Março de 2012

Monges Cartuxos de Montalegre

Apesar do enorme clima de agitação política e social naquele verão de 1936 em Espanha, devido ao carácter peculiar do carisma da Ordem da Cartuxa (Ordem religiosa fundada em 1084 por S. Bruno, de vida contemplativa, de carácter eremitico) os monges cartuxos de Santa Maria de Montalegre, continuavam, pacificamente, na sua habitual vida de oração e recolhimento, na solidão e silêncio do seu mosteiro.


A comunidade monástica contava então com 37 membros: 21 sacerdotes e 16 irmãos, num mosteiro em perfeitas condições, que tinha sofrido um grande restauro em 1900. Os monges cartuxos, na sua vida simples de oração, apesar da degradação da vida política e do avançar do extremismo político anti-cristão, nunca se preocuparam em realizar preparativos de fuga, ou salvamento dos bens do mosteiro. A vida monástica cartusiana continuou, como sempre, o habitual: Stat Crux Dum Volvitur Orbis (lema da Ordem da Cartuxa: A Cruz permanece enquanto o Mundo gira).
Visão geral da Cartuxa de Santa Maria de Montalegre, em Espanha: ainda hoje um mosteiro habitado pelos monges da Ordem da Cartuxa.


Na segunda-feira, dia 20 de julho de 1936, ouviram-se vários gritos insultuosos e disparos de metralhadora no exterior do mosteiro e os monges recebem avisos de que um possível assalto à Cartuxa está iminente. às 13H30, depois da oração de Nona, o alcaide de Tiana, com o chefe dos extremistas da região e uma outra pessoa, apresentam-se no mosteiro para informar que um grande grupo de revolucionários encontram-se em Tiana a queimar a igreja da cidade, e que depois, viriam à saqueá-la e incendiá-la, e possivelmente matar os monges. Às 18H00 inicia-se o assalto à cartuxa. Os assaltantes eram na sua maioria membros da Esquerda Catalana e da CNT-FAI (Anarquistas). Tendo alguns membros da comunidade feita prisioneira no grande claustro. Aos prisioneiros, foi-lhes dito por "Badaloni" que tinha uma ordem do Comité revolucionário de Badalona para os levar vivos à Câmara Municipal (Ayuntamento). (Segundo diversos relatos dos próprios cartuxos, "Badaloni" era um homem justo, de profundas convicções socialistas, leal e de bom coração, que entendia que os monges era gente boa e inofensiva, e por essa razão chegou até a converter-se em defensor de todos eles, perante os seus pares).


Preparou-se então um camião para os levar a Badalona. Quando subiam ao camião, chegaram diversos automoveis cheios de revolucionários armados, que começaram a gritar ameaças de morte aos monges, pretendendo assassina-los ali mesmo. Mais uma vez, o "Badaloni" enfrento-os e impôs a sua autoridade, embora tivesse que renunciar a que os monges fossem a bordo do camião. Iriam a pé. No entanto conseguiu que os mais idosos e débeis não seguissem, e ficassem alojados num edificio vizinho ao mosteiro. Dos 37 monges que formavam a comunidade 28 iniciram a caminhada de 6 quilometros atè Badalona. Pouco depois de se iniciar a marcha, surge um carro com milicianos e milicianas anarquistas que se oferecem a levar dois monges até Badalona. Levaram o padre Prior (padre Juan Bautista Cierco) e padre Procurador (padre Celestin Fumet). Entraram para o carro, e este arrancou. Pouco depois voltou a parar. Fizeram sair os dois monges. Estes, sabiam que iam morrer. O padre Prior disse: "Sabemos que nos querem matar. Dêem-nos ao menos o tempo necessário para a absolvição. O padre Procurador colocou-se de joelhos junto do padre Prior e instantaneamente levou uma descarga de balas na cabeça. O padre Prior, que estava de pé, preparando para a absolvição, levou de imediato com uma bala que entrou pela mandíbula inferior e saíu por um dos olhos, caíndo logo no chão. De imediato, os milicianos, abandonaram o local, deixando ali os corpos à beira da estrada. No entanto o padre prior não morreu, e bastante ferido, levantou-se, e procurou ajudar de imediato o padre Procurador, já cadáver. Voltou a cair, e ia-se levantando repetidamente, até que lhe faltaram as forças e acabou por cair no chão, desmaiado, sem forças. Elementos da Cruz Vermelha acabariam por os recolher mais tarde.

Cartuxa de Santa Maria de Montalegre: uma escola de santos.


O resto da comunidade, entre gritos constantes, ameaças de morte permanentes, blasfémias contra o Santo nome do Senhor, empurrões, bofetadas, e golpes dados com as culatras das espingardas, percorriam a estrada a caminho de Badalona. Foi com emoção que poucos quilometros andados, vieram a encontrar os dois corpos na estrada: o cadáver do padre Procurador e o bastante ferido padre Prior. Procuram então, também eles, prepararem-se para o martírio. Animavam-se mutuamente, e em voz baixa, confessavam-se e recebiam a absolvição, e nutriam o fervor rezando jaculatórias. Uma verdadeira via-sacra a caminho da Glória da Cruz.
Um quilometro mais à frente na caminhada, encontraram o automóvel que tinha levado o Pe. Prior e o Pe. Procurador. Os milicianos fizeram parar a coluna de prisioneiros e os que vinham no automovel perguntaram quem entre eles eram os superiores do grupo. Eram o padre Vigário (pe. Miguel Dalmau) e o padre Mestre de Noviços (pe. Benigno Mardnez). Entraram agora estes dois para o carro, e a caminhada a pé continuou sem estes dois monges cartuxos. O automóvel adianta-se à coluna, e a curta distância ouvem-se cinco tiros. Uma pistola disparou três vezes contra o padre Vigário e duas contra o Mestre de Noviços. No entanto não morreram. Estes inocentes, ficaram caídos junto à estrada, sofrendo tormentos atrozes, sem que ninguém os ajudasse.


Pouco depois, aparece um veículo com as luzes apagadas e leva mais dois: padre Isidoro e o padre Pedro, padre diocesano, capelão do sanatório de Comeria. Na entrada para a estrada de Can Sant Romà, foram ambos fuzilados. Entretanto a caminhada continuava. As orações dos monges cartuxos, começaram a incomodar o ateismo dos seus verdugos. Impuseram-lhes então o silêncio absoluto, sob pena de fuzilamento imediato. A dado momento, antes da chegada a Badalona, fizeram parar o grupo e ordenaram-lhes que se colocassem em fila alinhados de lado. Os milicianos apontaram-lhes as espingardas. Pensaram todos que a sua hora final chegara. Depois de uns instantes, mandaram-lhes continuar a marcha. Fora apenas um amargo falso alarme, somente para se divertirem.


Apareceu então um autocarro, para o qual fizeram entrar os monges, e nele entraram em Badalona. O pe. Abella (monge cartuxo sobrevivente) recorda: "Quiseram fazer crer às gentes de Badalona que nos tinham tratado cordialmente, fazendo-nos chegar em autocarro, enganando assim o povo crédulo e agravando os seus crimes com o da hipocrisia da simulação". Ao chegar a Badalona cresceu o perigo. Correu o boato entre os milicianos que muitos dos seus colegas assaltantes da Cartuxa tinham sido mortos pela defesa armada que os monges fizeram. Uma multidão junto ao Ayuntamento (onde os monges ficaram presos), gritavam: "Morte aos Frades"; "Fuzilem os monges"! previa-se um desenlace trágico e inevitável. Todas as igrejas de Badalona ardiam. O ódio aos católicos da cidade e região estava no vértice da loucura. Perante este cenário o Alcaide de Badalona, o "Badaloni" e o Sr. Mora, de espingardas na mão, encararam energicamente os milicianos e impuseram a sua autoridade, dizendo que o Comité Revolucionário determinaria a sorte dos cartuxos. O Comité reuniu-se às cinco da manhã para deliberar. A opinião vencedora, foi a de que se deveria poupar a vida aos cartuxos, somente por muitos deles serem de nacionalidade estrangeira, apesar da oposição dos comunistas e anarquistas. Procurou-se assim, encontrar familias que acolhessem os cartuxos, mas os anarquistas sentiam-se enganados pelo Comité, não aceitando a decisão.


Os consulados de França, Itália, EUA, Alemanha e Suiça aceitaram recolher vários dos monges, todos estarngeiros, bem como alguns espanhois. Depois de vários incidentes, esses chegaram por fim às Cartuxas de Farneta, Florença, Pisa, Pavia e Trisulti (Itália), Montrieux e Sélignac (França) e Valsainte (Suiça). A maioria dos espanhois foi colocada ao cuidado de famílias cristãs que se prediposeram a acolhe-los, apesar de correrem igualmente grande perigo por esse facto. Mas mais coroas de espinhos de martírio haveriam ainda de ser entregues.


A 5 de agosto, o irmão Guillermo Soldevila foi violentamente retirado da família que o tinha acolhido por um grupo de milicianos comunistas. Colocaram-no em cima de um automovel, onde foi fuzilado, seu rosto desfigurado, e enterrado em lugar desconhecido. Seu corpo nunca mais foi encontrado.

O padre manuel Balart, a 9 de outubro foi denunciado por um vizinho aos milicianos. Foi transferido para a checa (prisão privada das milícias) de San Elías, onde se encontrou com outros dois cartuxos: Pe. Luis Selláres e o padre Agustín Navarro, que juntos, foram cruelmente torturados. A 15 de outubro, levaram-os para serem executados. Seu delito: Ser e dar testemunho de Fé. Seus corpos permanecem ainda hoje numa fossa comum em local desconhecido.



Monge cartuxo estuda a Sagrada Escritura na solidão e silêncio da sua cela. (imagem do filme "Die Grosse Stille: O Grande Silêncio)
Retrocedamos no entanto no tempo, e voltemos aquela sinistra estrada da Cartuxa de montalegre até Badalona. Ali, a Cruz Vermelha, recolheu os feridos e mortos na mesma ambulância. Os feridos foram transportados ao Hospital e os mortos ao cemitério de Badalona. Dos feridos, todos com garvidade, estavam: o padre Prior, pe. Juan Bautista Cierco, que ficou internado 8 meses no Hospital de Badalona; o padre Vigário, pe. Miguel Dalmau e o Mestre de Noviços, pe. Benigno Mardnez. Depois do Hospital, onde receberam um acolhimento e atendimento generoso, foram transferidos para a prisão de Barcelona, em que depois de passarem sete meses de castigos vários, foram reincorporados na Ordem Cartuxa em junho de 1938, os padres Priores e o Mestre de Noviços.


Os mortos, foram enterrados inicialmente na capela do cemitério velho de Badalona, e hoje em dia, as relíquias dos padres Celestin e Isidoro são guardadas na Cartuxa de Montalegre.


Em baixo estão os monges cartuxos de Montalegre, assassinados em 1936, martirizados pelo seu amor a Cristo e à Santa Igreja Católica. Vítimas inocentes da intolerância e do ódio do ateismo organizado. A Ordem da Cartuxa considera-os como Mártires, mas o seus nomes não aparecem no santoral da Igreja Católica. Os cartuxos, humildes até ao extremo, consideram seu sacrifício como uma oferta gratuíta de amor a Deus e aos homens. Sua recompensa é gozar para todo o sempre da presença de Deus e continuar intercedendo por todos nós.


Santos inocentes Mártires Cartuxos: rogai por mim que sou um mísero pecador!


Padre Celestin Fumet, 20.07.1936;


Padre Isidoro Pérez, 20.07.1936;

Padre Manuel Balart, ?.10.1936;


Padre Agustín Navarro, 15.10.1936;


Padre Luis Sellarés, 15.10.1936;


Frei Guillermo Soldevila, ?.10.1936.

Terça-feira, 6 de Março de 2012

Beato Pe. Bartolomé Rodríguez Soria

O Pe. Bartolomé Rodríguez Soria, imolado em 29.Julho.1936


O Pe. Bartolomé Rodriguèz Soria, nasceu em 7 de setembro de 1894. Estudou no seminário de Toledo, e foi ordenado sacerdote em 1918. Começou o seu ministério sacerdotal como coadjutor de Elche de la Sierra, tendo sido destinado pouco depois a Balazote. Em 1925, é pároco de Peñascosa, e por fim, em 1926 é pároco de Munera, onde se encontra quando se inicia a Guerra Civil Espanhola.


No dia 27 de julho de 1936, foi detido com mais de 20 paroquianos, e encerrado na sacristia da própria igreja. Na igreja, os milicianos comunistas obrigaram-no a cooperar na destruição das imagens, situação para a qual se negou a fazer. Do dia 27 ao dia 29 inflingiram-lhe grandes agressões corporais, para além de lhe recusarem entregar a comida que os familiares lhe levavam. No dia 29, após espancamento, e de mão atadas atrás da cintura, atiraram-no do alto do púlpito, contra o solo. E ali ficou a esvair-se em sangue. Pediu para que pudesse ver a sua mãe, e o negaram. Sentiu sede, e num acto de grande crueldade, um miliciano urinou na sua boca.


Arrastado à sacristia, colocaram-no sobre um colchão, que hoje, manchado de sangue, é conservado como relíquia. Recebeu a absolvição das mãos de um outro sacerdote, detido com ele. Um miliciano, ao vê-lo deitado, agonizante no colchão, disse: "Ainda estás vivo? Morre cão!", ao que o Pe. Bartolomé respondeu, perdoando. E foram suas últimas palavras. Ás 17h00 do dia 29 de julho de 1936, aos 41 anos de idade, testemunhando com sua própria vida sua Fé em Jesus Cristo, Salvador, morreu, tendo sido sepultado no cemitério local. Seus restos foram transladados para a igreja paroquial a 25 de julho de 1940.

Foi beatificado em Roma, a 27 de outubro de 2007.


POWERPOINT sobre a vida do Beato Pe. Bartolomé Rodríguez Soria:



IMAGENS DA EXUMAÇÃO DOS RESTOS MORTAIS DO NOVO BEATO:



BEATO BARTOLOMÉ, ROGA POR NÓS:



VIDEO da MISSA DE ACÇÃO DE GRAÇAS:



Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Cinco Irmãos das Escolas Cristãs - Beatos



Os Cinco Irmãos das Escolas Crsitãs martirizados em Valência.






Estes 5 Irmãos das Escolas Cristãs, martirizados pelo Ateísmo Organizado em 1936, em Valência (Espanha), tinham como única preocupação nas suas vidas, seguir Nosso Senhor Jesus Cristo, na vocação à qual tinham sido chamados: santificar-se educando crianças e jovens, ensinando-os a viver cristãmente.


Quando se iniciou a Perseguição Religiosa em Espanha, trabalhavam tranquilamente nas instituições educativas da Província de Barcelona da sua Congregação. Viajaram a Valência para cumprir uma obrigação própria do seu trabalho educativo e aí, o Senhor os chamou a darem o seu testemunho extremo. Seus assassinos não os conheciam. Ao se aperceberem que eram religiosos, consideraram que por si só, era motivo suficiente para os deter e os assassinar.


Os mártires são um sinal da Igreja, Corpo de Cristo, que continua a ser perseguida e a ver os seus membros a serem condenados à morte em tantos lugares do Mundo. Como cristãos, também nós, também eu, devo saber estar preparado a imitar a sua generosidade.

Os Irmãos Florencio Martín, Bertrán Francisco, Ambrosio León, Elías Julián, Honorato Andrés e o Pe. Leonardo O. Buera, capelão do Colégio de Bonanova, entregaram suas vidas por serem fiéis à sua condição de membros activos da Igreja. Mesmo sabendo que a afirmação da sua condição de religiosos os conduziria à morte, não duvidaram em confessar a sua fé em Jesus Cristo, e a sua pertença ao Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. Estes cinco Irmãos, agora Beatos, não tinham outra preocupação do que seguirem Jesus Cristo, nessa vocação tão bela a que Ele os tinha chamado: procurarem a salvação de crianças e jovens através de uma educação cristã, para que alcançassem a sua plena realização como seres humanos e cristãos.

Para além destes novos Beatos da nossa Santa Igreja Católica, é o meu propósito lembrar a memória dessa multidão imensa de Mártires a quem o Ateísmo Organizado arrancou violentamente suas vidas, pela única razão de serem anunciadores de Jesus Cristo. Tantos mártires, tanto sangue... Lembro os mártires cristãos na Revolução Francesa às mãos dos revolucionários; no México na perseguição aos cristeros; na URSS; na Polónia; na Hungria; na América Latina; na China, em Espanha...
Aproveito para venerar a memória de tantos cristãos, bispos, padres, Irmãos, Irmãs, Missionários, seminaristas, leigos, que (ao contrário de mim - um cristão comodista) entregam suas vidas, dia a dia, gota a gota, no anonimato, numa fidelidade quotidiana ao anúncio do Evangelho. Que o Senhor, Pai Santo, suscite na Sua Santa Igreja, muitas e santas vocações!

"Todo o reconhecimento que devem esperar pela instrução das crianças, principalmente das pobres, são injúrias, calúnias, ultrajes, perseguições e até mesmo a morte. Esta é a recompensa dos santos e de Nosso Senhor Jesus Cristo".
(S. João de la Salle, fundador do Instituto das Escolas Cristãs)

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Mártires Agostinhos Recolectos de Motril - Beatos

Pintura dos sete frades Agostinhos (seis sacerdotes e um irmão) imolados pela Fé em 1936


"Se o mundo vos odeia, sabei que Me odiou a Mim antes que a vós. Se fosseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia" S. João 15, 18-19.


Entre os dias 25 de julho e 15 de agosto de 1936 uma comunidade inteira de frades Agostinhos Recolectos (seis sacerdotes e um Irmão) foram assassinados na cidade espanhola de Motril (província de Granada) por somente serem católicos comprometidos com a Igreja, e por se terem colocado ao serviço dos pobres. Só escapou um Irmão, já idoso, que na altura se encontrava hospitalizado. Junto com a comunidade de frades Agostinhos, foi também assassinado o Pe. Manuel Martín Sierra, sacerdote diocesano e pároco da Divina Pastora, de apenas 43 anos.

Aquando da Guerra Civil Espanhola, na trágica madrugada desse dia de 25 de julho de 1936, a igreja e o convento dos padres agostinhos é o primeiro edíficio a ser incendiado pelas forças Republicanas que entram na cidade. O assalto destroi completamente o templo e o convento anexo, que serve de residência à comunidade de frades Agostinhos. Os frades, sacerdotes e um Irmão, foram todos fuzilados, embora não o tendo sido ao mesmo tempo. Só em 1948 os padres Agostinhos regresserão a Motril, tendo a igreja sido reconstruída em 1957.




Quadro com os nossos Mártires cristãos.


Sacrificados às mãos do ódio anti-cristão, e virulentamente anti-católico, o seu sacrifício supremo só é compreensivel pela Fé: pelo seu grande Amor à Igreja de Jesus Cristo e adesão às Suas promessas de Vida Eterna. Justamente o que a mim me tem faltado! Peço, humildemente ao Senhor, meu Deus e meu Pai, que por intercessão destes seus filhos, me ajude a crescer na Fé e a ser um cristão coerente na minha vida diária.


Estes são os Mártires Agostinhos do convento de Motril, que alcançaram a Glória da Vida Eterna, e que com o seu testemunho de Fé dão Glória à nossa Santa Igreja Católica:


- Beato Frei Julián Benigno Moreno de San Nicolás de Tolentino (1871-1936):
Depois de ter sido ordenado sacerdote foi enviado como missionário às Filipinas em 1889. Foi ainda missionário na Colombia, Venezuela e Panamá. Em 1931 foi para o Brasil, passando a residir no convento de N.ª S.ª da Aparecida de França (SP) até 1933, quando regressou a Espanha. O Pe. Julián foi um religioso de muita cultura, e um escritor fecundo, que deixou vasta obra literária, nomeadamente sobre temáticas religiosas.


- Beato Frei León Inchausti de la Virgen del Rosario (1859-1936):

Fez os votos religiosos em 1879, e foi enviado às Filipinas, como missionário onde foi ordenado sacerdote em 1884. Em 1903 embarcou para o Brasil, de onde regressou a Espanha em 1921. Residia na comunidade de Motril desde 1928.


- Beato Frei Vicente Pinilla de San Luis Gonzaga (1870-1936):

Professou na Ordem Agostinha em 1886. Enviado às Filipinas em 1892, onde foi ordenado sacerdote no ano seguinte. Regressou a Espanha em 1900, tendo em 1902 embarcado para o Brasil onde esteve até 1927. Residia no convento de Motril desde 1927, até à data do seu martírio.


- Beato Frei Deogracias Palacios de San Augustín (1901-1936):

Ingressou com 15 anos no convento da Ordem em Agreda e professou em 1918. Ainda seminarista embarcou para o Brasil em 1923, onde prosseguiu os seus estudos em Ribeirão Preto (SP). Ordenado sacerdote em 1925. Regressou a Espanha em 1930, tendo em 1931 sido enviado à Argentina. Regressou a Espanha em 1933, onde viveu até ao seu martírio no dia 5 de julho de 1936.



Mausoléu erigido no cemitério de Motril (Granada, Espanha) onde ficaram sepultados os corpos dos frades martirizados.



- Beato Frei José Rada de los Dolores (1861-1936):

Ingressou na Ordem dos Agostinhos em 1878, e após os seus estudos foi enviado como missionário para Manila, Filipinas, onde se veio a ordenar sacerdote em 1884. Missionário incansável, foi enviado em 1913 ao Brasil. Regressou a Espanha em 1927, tendo sido destinado ao convento de Motril, onde recebeu a palma do martírio a 25 de julho de 1936.


- Beato Frei José Ricardo Díez del Corazón de Jesus (1909-1936):

Nasceu em Camposalinas, (na altura diocese de Oviedo, hoje de León) filho de uma mãe, com deficiência mental profunda (bendita mãe essa, que deu à Santa Igreja um filho hoje Beatificado pelo Papa! Hoje, teriam-na esterilizado compulsivamente!). Entrou para o convento da Ordem de Villaviciosa de Ódon (Madrid) em 1932, após ter cumprido o serviço militar, tendo iniciado o noviciado em 1933. Fez os seus primeiros votos em 1934, tendo em Março de 1936 sido enviado ao convento de Motril. No dia de 25 de julho de 1936, ajudou à Santa Missa que se realizou no convento às 06h00 da manhã, celebrada pelo Pe. Vicente Soler. Momentos depois, foi preso e fuzilado na via pública.


- Beato Frei Vicente Soler de San Luis Gonzaga (1867-1936):

Nasceu em Malón (Zaragoza, diocese de Tarazona) onde nas proximidades havia um mosteiro dos Agostinhos que formava padres missionários para as Filipinas. Ali nasceu em jovem, a sua vocação missionária. Em 1882, com 15 anos, tomou o hábito religioso de Agostinho Recolecto no convento de Monteagudo. Foi enviado como moissio´nário para as Filipinas em 1889, tendo sido ordenado sacerdote em Manila, em 1890. Exerceu o seu apostolado de missionário nas Filipinas durante 17 anos, nos lugares mais inóspitos. Em 1906, a Ordem pediu-lhe para regressar a Espanha, tendo sido destinado ir para o convento de Motril. Em 1908 foi eleito Superior da Comunidade de Motril, e em 1926, o Capítulo Geral da Ordem elege-o para Superior Geral da Ordem Agostinha Recolecta. Foi assassinado na manhã do dia 15 de agosto de 1936, juntamente com outros 18 presos das milicias marxistas.


Todos eles se distinguiram por por um fervoroso amor à Virgem Maria e por um ardente zelo no anúncio da Palavra de Deus. O papa João Paulo II, beatificou-os no dia 07 de março de 1999.


E é este o património da nossa Santa Igreja Católica, meus caros amigos. São estes os nossos santos. O sacríficio destes nossos irmãos na Fé, pertence ao nosso património histórico e espiritual enquanto comunidade de fiéis. Enquanto Igreja. Que o seu sangue derramado por amor e fidelidade a Jesus Cristo possa ser semente de muitas e santas vocações nos corações dos jovens cristãos. E para todos nós, o seu martírio deve significar um estímulo à nossa fidelidade, em tempos e circunstâncias difíceis à evangelização.


Aspecto actual da igreja dos Agostinhosn em Motril (Granada, Andaluzia). Em 1936 foi saqueada e totalmente destruída pelas forças marxistas, em conjunto com o convento dos frades, em anexo.


Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Manuel Medina Olmos - Bispo de Guadix

A 30 de agosto de 1936, D. Manuel Medina Olmos, bispo católico de Guadix era assassinado no Barranco de Chisme, nos arredores da povoação de Vícar (Almeria, Espanha), na companhia de mais dezasseis sacerdotes e leigos (entre eles o seu amigo D. Diego Ventaja Milán, bispo de Almeria) pelos inimigos da Igreja.

Desde os primeiros séculos do Cristianismo, a Igreja exaltou os seus mártires. Homens, mulheres, crinças inclusivé, que morreram esperançados nas promessas de Cristo, e que colocaram a sua fidelidade a Jesus à frente da sua própria vida. E é este o caso deste bispo da nossa Santa Igreja. Uma bela estrela cintilante na imensidão de mártires cristãos. Um homem, que devido à sua fidelidade a Jesus Crsito e à sua comunidade de fiéis (Igreja) entregou a sua vida às mãos dos marxistas ateus. Um exemplo de vida para mim, simples e pecador neófito da Santa Igreja Católica, cuja bondade maternal me acolhe.

Manuel Medina Olmos, nasceu em Lanteira (Granada, Andaluzia) a 9 de agosto de 1869. Nasceu numa família humilde e pobre, e muito cedo ficou orfão de mãe. Licenciado em Direito, Letras e Filosofia pela Universidade de Granada. Fez os de Teologia no Seminário diocesano de Granada. Foi ordenado sacerdote em agosto de 1891.

Em 1925 foi nomeado bispo auxiliar de Granada. 3 anos mais tarde, foi nomeado bispo de Guadix, tomando posse a 30 novembro de 1928.

Bispo comprometido com a sua diocese, encetou um vasto trabalho pastoral na diocese a seu cargo. Visitou todas as paróquias, escreveu várias cartas pastorais, procurava fornecer a melhor formação ao clero da sua diocese.

A 27 de julho de 1936 foi preso por um grupo de milicianos encabeçado pelo Alcaide (presidente do Municipio) de Guadix, e levado posteriormente, na companhia de outros três sacerdotes a Almería, até que a 30 de agosto de 1936, foi transportado de camião até ao Barranco de los Chismes, onde o fuzilaram.

D. Manuel Medina Olmos, bispo da nossa Santa Igreja Católica, mártir pela fidelidade a Jesus Crsito, foi beatificado pelo Papa João Paulo II a 10 de outubro de 1993 em Roma, tendo ficado estabelecido o dia 30 de agosto, como sua festa liturgica comemorativa.

Manuel Medina Olmos, bispo da Santa Igreja Católica, servo de Cristo, tu que estás na Glória da presença do Senhor, intercede por mim, mísero pecador, e pela minha conversão diária!

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Sete Irmãs da Ordem da Visitação de Madrid - Beatas

As sete irmãs da Visitação martirizadas por ódio à Igreja: todas levam perante Cristo a palma do seu martírio.



Sete mulheres, monjas contemplativas, da Ordem da Visitação (http://www.ordemdavisitacao.com/) foram cruelmente assassinadas por ódio à fé católica em novembro de 1936, em Madrid. Seis morreram no dia 18. A sétima, morreu no dia 23. Todas unidas em comunidade, inocentes, perseguidas, humilhadas, mantiveram seu Amor a Cristo e à Igreja até ao fim, um exemplo para todos nós, pois também elas viveram um tempo de ódio insano à Fé.


O ateísmo, através de algumas das suas manifestações mais extremadas, (marxismo e anarquismo) apresentava no ano de 1936 em Espanha, um ódio visceral e irracional a Jesus Cristo, à Igreja Católica e seus fiéis. Incontáveis irmãos e irmãs meus, cristãos, católicos, deram suas vidas, num testemunho de Fé, que hoje ilumina a minha vida. Podiam ter abandonado a Fé. Podiam ter negado Jesus Cristo. Mas preferiram testemunha-Lo, e afirmarem-se como cristãos empenhados e comprometidos com a Igreja. Os inimigos da Igreja, abateram-os(as) sem piedade, mas o Senhor, meu Pai, Justo e Misericordioso, recompensou-os(as) com a Glória da Vida Eterna. Hoje apresento-vos 7 irmãs contemplativas de Madrid. 7 religiosas que se entregaram à vida escondida dos olhares do Mundo, da vida religiosa contemplativa. 7 mulheres que pagaram com a vida, a força da sua Fé.

A 18 de julho de 1936, o seu convento foi assaltado, pilhado e ocupado pelas milicias anarquistas que dominavam as ruas de Madrid. As sete religiosas no entanto tinham-se refugiado dias antes num sotão de uma casa vizinha que haviam alugado na Rua González Longoria. Ali, fundaram, em ambiente de clandestinidade, uma espécie de pequeno mosteiro, que para elas se convertiria durante 3 meses na ante-câmara da Glória do Céu.


Sua presença foi denunciada por duas jovens criaditas que trabalhavam no prédio. Chegaram a ser visitadas pelos milicianos, que embora não as tivessem matado, as roubaram, maltrataram e as ameaçaram.


Por quatro vezes, tiveram oportunidade de escaparem e de se refugiarem em domicilios mais seguros. os porteiros da casa, um casal cristão, revelaram-se exemplares no tratamento com as Irmãs, até mesmo heróico. Agradeceram sempre os conselhos, mas sempre os recusaram. Mantiveram-se unidas em comunidade: "Prometemos as sete perante Jesus, de não nos separarmos". Palavras textuais das beatas.


No mês de novembro, com o início da grandes matanças colectivas de cristãos em Madrid, pressentiram que tinha chegado também para elas, a hora de trevas e de Glória. O ódio ateísta tinha apertado o círculo da cruel perseguição. A noite de 17 para 18 passaram-na em oração. Horas de Getsamani em direção ao Calvário. Deixaram um testemunho verbal, testemunhado por quem as ouviu que "Estamos muito tranquilas e seguras nas mãos de Deus. Ele fará de nós o que mais convier".


Às 19h00, já de noite, vieram os milicianos procurá-las. Às 20h00, as 7 mulheres indefesas, sem qualquer processo judicial contra elas, inocentes como cordeiros, foram fuziladas à queima-roupa na confluência das ruas López de Hoyos com a Velázquez, no extremo-norte da Madrid de então. Morreram 6. Sobreviveu a Irmã Cecilia, que foi detida por dois polícias que lhe asseguram uma família de confiança onde poderia acolher-se. Não aceitou o convite. Declarou-se mais uma vez, monja contemplativa. Acabou presa numa "checa" (prisão privada dos milicianos marxistas), onde no dia 23, acabou por ser assassinada nos muros do cemitério de Vallecas.


Os assassinos destas nossas Irmãs, ficaram com os seus nomes sepultados no anonimato da História, que o ódio merece. Elas, puras e santas, receberam a Glória Eterna, com duas auréolas: a da sua virgindade e a do seu martírio entregue ao Senhor. E anos mais tarde, toda a Igreja rejubilou com a sua glória, no dia da suas beatificações, na Praça de S. Pedro, em Roma, a 10 de maio de 1998.


As Sete Mártires:

Maria Gabríela de Hinojosa Naveros, 64 anos, superiora da comunidade;

María Cecilia Cendoya Araquistain, 26 anos;

María Inés Zudaire Galdeano, 36 anos;

Maria Engracia Lecuona Aramburu, 39 anos;

María Ángela Olaizola Garagarza, 41 anos;

Teresa María Cavestany Anduaga, 48 anos;

Josefa María, 55 anos.


Beatas Irmãs mártires da Ordem da Vistação, vós que "escolhestes a melhor parte" numa vida feita de oração e paz, ajudai-me a abandonar a minha vida dissoluta e pecadora, e intercedei por mim a Nosso Senhor Jesus Cristo!

Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Monges Cistercienses de Viaceli - mártires

Fotografia do mártir Pe. Pío Heredia, formador e Mestre de Noviços do mosteiro, com vários dos mártires cistercienses.

Caríssimos leitores, hoje venho apresentar-vos os nossos mártires da Abadia cisterciense de Santa Maria de Viaceli, da Ordem Cisterciense da Estrita Observância (vulgo Trapistas), na diocese de Santander (província de Cantábria).
Também esta pacífica e contemplativa comunidade monástica da nossa amada Igreja católica foi perturbada pela agressão marxista da vil perseguição religiosa em Espanha em 1936, tendo vários dos seus monges sido chamados ao martírio.

Esta comunidade cristã de humildes monges de Viaceli reconhece ao Senhor a especial Graça de ter oferecido à Igreja o testemunho de profunda fidelidade e adesão inquebrantável a Cristo, de muitos dos seus monges: o Pe. Pío Heredia e mais 14 Irmãos, que depois de várias ofensas, entregaram suas vidas por amor a Jesus Cristo.
Seu processo de beatificação, iniciado em 1997, encontra-se em processo bastante avançado, já na fase Romana.

Tais como todos os outros que neste Blog já fui apresentando, também estes mártires deram sua vida unicamente pelo seu amor a Cristo e por não aceitarem o convite de se tornarem apóstatas.
6 padres e 9 Irmãos, e nenhum apóstata da Fé! Um exemplo para as nossas vidas, para a minha em particular! Meu bom Senhor, tende piedade de mim, e dái-me uma Fé como a destes meus santos irmãos cistercienses para que Te possa amar com mais empenho!

Não cometeram nenhum crime contra ninguém. Não cometeram nenhum crime contra o Estado. Seu único crime, naqueles tempos de em que o fanatismo marxista e o laicismo agressivo ateu campeou pelos campos, vilas e cidades de Espanha, foi o de terem abraçado livremente a Regra monástica de São Bento e São Bernardo e serem fiéis à Santa Igreja de Roma. Isso, meus caros, os marxistas não podiam tolerar. Não podia haver outro Deus do que Marx, Lenine ou Estaline.

A 8 de setembro de 1936 a comunidade foi detida, tendo o Pe. Pío Herédia, responsável pelos Irmãos (uma comunidade monástica divide-se entre monges sacerdotes e monges Irmãos), foi sujeito a violento interrogatório pelo responsável do Comitê de Guerra. Cobriram o seu corpo de golpes, bastonadas, para além de todos os impropérios blasfemos que lhe dirigiam. O seu silêncio, a sua calma e gestos de perdão para com os seus carrascos marxistas deixava-os ainda mais enfurecidos.


Abadia cisterciense de Santa Maria de Viaceli: "O sangue dos mártires é o melhor antídoto contra a apatia religiosa".

O Pe. Pío Herédia junto com os Irmãos do mosteiro vieram a ser assassinados nas falésias do Cabo Mayor, junto à cidade de Santander. Vários testemunhos afirmam e louvam a Fé daqueles jovens e inocentes monjes, quando a caminho da sua imolação, em cima do um camião que os transportava, cantavam salmos de louvor ao Senhor. "Iam morrer, e iam a cantar. Nunca me poderei esquecer disso", diz uma testemunha que na época tinha apenas 15 anos. (Ver outro meu post anterior: "Mártires de Barbastro").

Foram atirados aos rochedos e ao mar, durante a noite, de mãos fortemente atadas à cintura. Uns morreram despedaçados nas rochas, outros afogados, e outros gravemente feridos, acabaram por morrer por falta de quem os socorresse. Para os marxistas, eliminar a Igreja Católica em Espanha era um desígnio a cumprir.

Uns dias depois, a 3 de dezembro de 1936, o mar devolveu às praias da zona de Santander, alguns corpos. Um deles o do Servo de Deus Pe. Pío Herédia. Com os braços atados atrás das costas, e com a boca cozida. O horror da tortura dos inimigos da Igreja aos que permaneceram fiéis a Cristo não tinha fim.




Visão geral do Cabo Mayor, junto a Santander. Daqui foram atirados ao mar e às rochas os jovens mártires monges de Viaceli.



Monumento erigido no Cabo Mayor (Santander) em memória dos mártires. As inscrições na base do monumento foram entretanto retiradas pela democracia.



Os mártires da abadia de Viaceli eram na sua maioria bastante jovens. Eram a esperança vocacional de uma comunidade florescente, que se converteram na semente semeada na boa terra, fecunda para germinar novas vocações à Santa Igreja Católica. Aqui ficam, para memória, seus nomes e idades destes nossos irmãos na Fé de Jesus Cristo:


Pe. Pío Herédia, 61 anos;
Pe. Amadeo, 31 anos;


Pe. Valeriano, 30 anos;


Pe. Juan Bautista, 31 anos;


Pe. Eugenio, 33 anos;


Pe. Vicente, 31 anos;


Ir. Álvaro, 21 anos;


Ir. Marcelino, 23 anos;


Ir. Antonio, 21 anos;


Ir. Eustáquio, 45 anos;


Ir. àngel, 68 anos;


Ir. Ezequiel, 19 anos;


Ir. Eulogio, 20 anos;


Ir. Bienvenido, 28 anos;


Ir. Leandro, 21 anos.


Actual comunidade monástica da Abadia de Santa Maria de Viaceli. Aspecto do refeitório da comunidade.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Quando os Ateus fuzilaram Jesus Cristo

Talvez a mais das iconográficas e infames imagens da Guerra Civil Espanhola: um grupo de milicianos fuzila a imagem do Sagrado Coração de Jesus no Cerro de los Angeles, em Getafe, a sul de Madrid.


A 28 de julho de 1936 um grupo de milicianos, entre republicanos, comunistas e socialistas , decidiram entre blasfémias e insultos de toda a ordem, fuzilar a imagem do Sagrado Coração de Jesus, erigida no Cerro de los Angeles ( local geográfico do centro da península Ibérica) e que tinha sido inaugurada pelo rei Alfonso XIII, a 30 de maio de 1919, depois de fazer a consagração de Espanha ao Sagrado Coração de Jesus.
Cinco dias antes, estes bravos milicianos do ateismo militante, tinham-se divertido em assassinar cinco jovens católicos que corajosamente deram a sua vida, para guardar e defender o monumento da possível profanação. Esses jovens mártires, mortos in odium fidei, eram:
a) Pedro Justo Dorado Dellmans, de 31 anos;
b) Blas Ciarreta Ibarrondo, de 40 anos, casado;
c) Vicente de Pablo García, 19 anos;
d) Elías Requejo Sorondo, de 19 anos;
e) Fidel Barrios Muñoz, de 21 anos.
Todos leigos pertencentes à Acção Católica. Todos eles cristãos devotos do Sagrado Coração de Jesus. Todos eles cristãos empenhados e comprometidos na vida cristã.
Tinham decidido fazer uma Guarda de Honra ao monumento do Sagrado Coração de Jesus, orando e rezando o rosário.
Na manhã do dia 23 de julho, movido pelo ódio ateista, os milicianos apareceram no Cerro (colina), procurando pelos "frades disfarçados", referindo-se ao grupo dos jovens católicos. Num vexatório tribunal improvisado ali mesmo na esplanada do monumento, foram condenados à morte, não sem antes sofrerem toda a espécie de humilhações e ignomínias. Os jovens mártires partiram para o Céu, olhando de frente o monumento do Coração de Jesus que os parecia abençoar. Caíram gritando "Viva Cristo-Rei!", "Viva o Sagrado Coração de Jesus!". Seus cadáveres ali permaneceram, mergulhados numa imensa poça de sangue, durante 24 horas.



Os ateus marxistas posam para a fotografia no lugar de Deus: onde antes se venerava o Divino, agora julgam-se a si próprios como deuses e, sorridentes, fazem a saudação comunista e socialista com o punho fechado.


No dia 28, cinco dias depois dos cobardes assassinatos dos inocentes, os verdugos ateus, regressaram ao Cerro de los Angeles, agora para proceder ao pérfido e ignóbil julgamento, condenação e fuzilamento do Coração de Jesus. Prepararam toda a paródia, deixando-se fotografar. A imprensa escrita republicana publicou em primeira página essa fotografia do fuzilamento, comentando favoralvelmente o acontecimento: "O desaparecimento de um estorvo", diziam os jornais. O Governo da República Espanhola, em decreto, alterou o nome de Cerro de los Angeles, para Cerro Rojo (Colina Vermelha) nome este, que permaneceu até ao final da Guerra.
Na medida em que o simples fuzilamento não deitou por terra o monumento, uma semana depois, a 7 de agosto de 1936, os ateístas regressaram mais uma vez aos pés do Sagrado Coração de Jesus, agora para o dinamitar, o que aconteceu com três cargas de dinamite.



Placa que honra a memória dos 5 jovens cristãos mártires, mortos pelo feroz ódio ateu a Jesus Cristo e à Santa Igreja Católica.

Ruinas do monumento original do Sagrado Coração de Jesus, dinamitado pelos ateus marxistas em 7 de agosto de 1936.


Junto ao monumento, fica um convento de Irmãs Carmelitas, de vida contemplativa: o Carmelo do Cerro de los Angeles. Essas irmãs, contam-nos muitas histórias acerca do seu vizinho monumento. Uma das mais impressionantes, é o relato de duas conversões daqueles milicianos marxistas que no dia 28 de julho de 1936 apontaram e dispararam suas armas contra a imagem do Sagrado Coração de Jesus. Diz uma das irmãs: "Vários anos depois da Guerra, recebemos uma carta das Filhas da caridade, de Zaragoza, em nos relatava como um homem lhes apareceu no convento, arrependido e a pedir perdão, por fuzilar o Coração de Jesus em Getafe. Outra ocasião, foi um Juíz, num Tribunal civil, que ao ouvir um réu, este lhe pedia para trabalhar na construção de uma igreja, como forma de reparar a ofensa por ter fuzilado a imagem de Cristo no Cerro de los Angeles."

E a irmã carmelita continua: "Estamos aqui, em Getafe, com o Sagrado Coração de Jesus, para O acompanhar; adora-Lo e rezar por todos os homens, especialmente os pecadores". "Também pelos que fuzilaram a imagem de Cristo?" "Sim, claro! Se soubessem o que fariam verdadeiramente, não o teriam feito! Aqui rezamos por todos eles" diz. "E hoje as balas são outras", continua, "São as da ingratidão, as da indiferença. Hoje, na vida do Homem, falta Deus. E sem Deus, o homem é inimigo do homem; deixa-se governar pelo demónio, pela falsidade, pelo egoísmo". Uma da mais jovens monjas carmelitas acrescenta: "Dá-me imensa pena que muitos dos meus amigos e amigas pensem que por viver aqui no convento não seja uma pessoa livre, isto quando na realidade eles são escravos de muitas coisas. sem Deus não há felicidade".

Meus caros amigos leitores, amar é perdoar. Esta é a divisa do verdadeiro cristão. Peço humildemente todos os dias ao Senhor, meu Deus, para me dar um coração assim!



Fotografia actual do novo monumento ao Sagrado Coração de Jesus, iniciado em 1944, e dedicado em 1965.


Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Pe. Mario Ros Ezcurra (sscc), Mártir

O jovem sacerdote Pe. Mario Ros Ezcurra com o hábito religioso da Congregação dos Padres dos Sagrados Corações de Jesus e Maria (SS.CC.)


O ódio do ateismo marxista contra a Igreja foi total naqueles anos de 1936 a 1939 em Espanha. Não importavam nadinha em liquidar padres, bispos, ou seminaristas, ou até mesmo Irmãs, simples freiras. Milhares de leigos católicos foram também exterminados in odium fidei. Por serem fiéis à Igreja. Por serem fiéis a Cristo.
Este meu post de hoje, neste meu pequeno memorial virtual, é dedicado ao jovem sacerdote de 26 anos, o Pe. Mario (nascido Luis) Ros Ezcurra, da congregação dos Padres dos Sagrados Corações de Jesus e Maria (SS.CC.), também conhecidos por Padres de Picpus.

Nasceu em Lezáun (província de Navarra) a 30 de abril de 1910. Professou na Congregação dos Sagrados Corações a 15 de agosto de 1935. Fez os seus estudos no colégio da congregação em Miranda del Ebro. Muito simples e sempre muito sincero. "Não sabia mentir", dizia dele mesmo.

Foi ordenado sacerdote em 1935 e foi enviado ao colégio da congregação em Madrid. No fatídico ano seguinte de 1936, teve de sair e refugiou-se numa pensão, (pensão Maria Isabel) propriedade de uns seus tios.

Na noite de 13 para 14 de agosto de 1936, foi preso na referida pensão. Foi sujeito a uma farsa de julgamento, em que se declarou religioso dos SS.CC. e sacerdote. Na noite seguinte, de 14 para 15 de agosto (no dia da festa da Assunção de Nossa Senhora, em que fazia 1 ano de ordenação sacerdotal), foi levado aos arredores de Madrid onde foi fuzilado. Encontraram seu cadáver nesse dia 15, com o rosto destruido pelas balas. Foi reconhecido pelos seus tios, e o corpo foi imunado no cemitério. Tinha na altura da sua imolação, 26 anos.



A 27 de novembro de 2010, teve lugar na igreja paroquial dos Sagrados Corazones em Madrid, a cerimónia de imunação do Servo de Deus Pe. Mario Ros Excurra e outros 4 companheiros da mesma congregação religiosa, também mártires da perseguição religiosa espanhola de 1936. A cerimónia foi presidida pelo bispo D. Ricardo Bosom, delegado episcopal e presidente do Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Madrid. Esteve presente o provincial de Espanha, o Pe. Ignacio Moreno e imensos membros da congregação, sacerdotes, irmãos e irmãs. Após a celebração, realizou-se uma oração de Acção de Graças pelos Mártires.
Os restos dos mártires, foram depositados na capela de São Damião de Molokai, na igreja paroquial dos Sagrados Corazones de Madrid.
Aspecto da capela de São Damião de Molokai, na igreja dos Sagrados Corazones em madrid. Na parede ao fundo, as placas indicam onde repousam os corpos dos mártires da Santa Igreja.


Presentemente, o Pe. Mario Ros Ezcurra tem em Roma, o processo de beatificação em fase adiantada.
Que o exemplo do Pe. Mario Ros Ezcurra, a sua simplicidade e fidelidade a Jesus Cristo, seu testemunho, sua firmeza na Fé nos sirva a todos nós, especialmente a mim, na minha caminhada diária como cristão. Pe. Mario, roga por mim a Nosso Senhor Jesus Cristo!

Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

Beato Anselmo Polanco Fontecha - Bispo de Teruel

O mártir Anselmo Polanco Fontecha (1881-1939) ingressou como noviço no convento da Ordem dos Agostinhos (OSA) em Valladolid aos 15 anos. Dali passou ao mosteiro de de Santa Maria de la Vid (Burgos), onde foi ordenado sacerdote em 1904, tendo-se dedicado à docência. Em 1922 foi nomeado reitor do Seminário de Valladolid, tendo sido re-eleito para o cargo em 1926. Em 1932, foi nomeado provincial da Ordem em Espanha, cargo que o obrigou a viajar por longos períodos pela América do Sul, Filipinas, China e Estados Unidos, em visita às diversas comunidades da sua Ordem religiosa. Em 1935 foi nomeado pela Santa Sé bispo de Teruel, cargo que desempenhava quando se iniciou a Guerra Civil Espanhola. Premonitória foi a frase que disse na sua tomada de posse como bispo da diocese, quando disse: "Vim para dar a minha vida pelas minhas ovelhas".
O seu apostolado como bispo, caracterizou-se pelo grande zelo no acompanhamento dos sacerdotes, pelo seu amor aos mais pobres, pela sua intensa vida de oração e austeridade pessoal, privando-se inclusivé do que necessitava para dar aos necessitados.
Durante a Guerra Civil Espanhola, quando o ódio raivoso do ateísmo comunista e socialista se abateu sobre sua diocese, e o próprio via a sua vida ameaçada, nunca quis separar-se dos seus fiéis, e dizia sempre o mesmo: "Eu sou o pastor, e a minha missão é permanecer junto com as ovelhas que me foram confiadas; ou me salvo com elas, ou com elas morro". Ganhou a admiração e a estima das gentes de Teruel.
No dia 8 de janeiro de 1938 (agora quase a fazer 74 anos), foi feito prisioneiro na companhia do seu Vigário Geral da diocese, Mons. Felipe Ripoll Morata, seu companheiro nos trabalhos pastorais, na detenção, no martírio e na beatificação, ocorrida a 01 de outubro de 1995.
Após 13 meses de cativeiro nas prisões de Valência e Barcelona, a 25 de janeiro de 1939 (último ano da Guerra) e véspera da entrada das tropas nacionalistas na cidade de Barcelona, os presos foram transportados em direção a Santa Perpetua de la Moguda (Barcelona) e daí a Campdevànol y Puigcerdá, na província de Girona. A noite de 26 passaram num comboio, e no dia 27 oram levados a Ripoll, e daí, a pé até Sant Joan de las Abadesas debaixo de uma chuva torrencial. No dia 31 de janeiro, os prisioneiros foram levados a Figueras y Can de Boach em Pont de Molins.
Na manhã de 7 de fevreiro de 1939 (a menos de dois meses da guerra terminar), 30 soldados enviados pelo comandante comunista Pedro Díaz, chefe de uma coluna de tropas de Enrique Líster (mais tarde general do Exército Vermelho da URSS), sequestraram 14 de esses presos, entre eles, o próprio bispo de Teruel, D. Anselmo Polanco, o Pe. Felipe Ripoll, seu Vigário Geral da diocese. Seguiram pela estrada em direção a Les Escaules, e detiveram-se a cerca de um quilometro e meio de caminho, onde fuzilaram os prisioneiros. No dia seguinte repetiram o processo com os restantes 26 prisioneiros. Os fuzilados, alguns deles agonizantes, feridos pelas metralhadoras, foram regados com gasolina e queimados.

Neste mesmo lugar, foi erigido um memorial em 1940, com a seguinte inscrição:
"Viajante, por aqui passou o terror vermelho, deixando como vestígio da sua passagem quarenta cadáveres. (...) Recorda-os com uma oração. 07-II-1939"


Aspecto na actualidade (vandalizado) do monumento que lembra os 40 fuzilados entre eles o bispo Beato Anselmo Polanco Fontecha neste local em fevereiro de 1939.


O cadáver meio queimado do bispo não mostrava sinais de putrefacção, e a pedido da diocese de Teruel, seus restos foram transladados para a catedral da sua diocese.

Em 01 de outubro de 1995, o bispo D. Anselmo Polanco Fontecha e o Vigário Geral Pe. Felipe Ripoll, foram beatificados pelo papa João Paulo II.


Monumento erigido na cidade espanhola de Teruel em homenagem so seu bispo mártir.

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

O assassinato do Beato Florentino Asensio, Bispo de Barbastro




Esta é a história de um mártir. Mártir In Odium Fidei. Um mártir cristão, um meu irmão na Fé, que deu o seu sangue pelo seu grande amor a Cristo e sua esposa mistíca, a Santa Igreja Católica. É a história de um Bispo desta nossa Igreja peregrina na Terra, cujo testemunho de imolação perante as forças do Mal, nos deve fazer, no mínimo, refletir sobre a nossa Fé.

Um testemunho eloquente, que previno desde já, poderá impressionar os mais impressionáveis.

Esta é a história do Beato Florentino Asensio Barroso, bispo da diocese de Barbastro - Espanha que foi selvaticamente assassinado por ódio à Fé.

Nasceu em Villasexmir (Valladolid) a 16 de outubro de 1877. Foi ordenado sacerdote em 1901. Em 1935 foi nomeado pela Santa Sé Bispo da diocese de Barbastro (diocese que foi bastante martirizada pelas forças marxistas e anarquistas no decorrer da Guerra Civil Espanhola).

A 19 de Julho de 1936, o Comité dos milicianos (comunistas e anarquistas) informaram-lhe que ficaria preso na sua residência episcopal. No dia 23 foi transferido para o colégio, agora prisão, dos padres Escolápios (onde também estiram os beatos mártires claretianos de Barbastro- ver outro meu post), onde foi submetido a humilhações, escárnios e insultos sem fim.

Na noite de 8 de agosto, foi chamado a comparecer perante a farsa que era o tribunal popular, criado pelos comunistas. Presentindo o pior, e "perante o que pudesse ocorrer" antes de abandonar a prisão, pediu ao padre Prior dos beneditinos (do mosteiro beneditino Nuestra Señora del Pueyo, também ele ali preso) para o ouvir em confissão e o absolver.

Amarraram-no em conjunto com outro homem, e os conduziram, após várias horas no calabouço a uma sala vazia onde ficaram amarrados a um poste. Entre frases grosseiras e insultuosas, uns milicianos (Héctor M., Santiago F., Antonio R., e Alfonso G.) aproximaram-se do prelado. O bispo Asensio encontrava-se a rezar silenciosamente. Santiago F. diz então a Alfonso G., que era analfabeto: "Não eras tu que desejavas comer col... de bispo? Agora tens a ocasião!" Alfonso G. não pensou duas vezes, puxou imediatamente de uma navalha de talhante, e ali, friamente retirou os testículos de D. Florentino Asensio. Jorros de sangue inundaram suas pernas e empapou o pavimento. O senhor Bispo ficou bastante pálido mas não desmaiou. Soltou um grito de dor, e teve forças para musicar uma oração ao Senhor. Sua ferida, foi cozida de qualquer maneira, a sangue frio, pior que se faz a um animal. Testemunhos afirmam que o bispo de Barbastro teria caído de dor sobre o pavimento se não estivesse amarrado em pé.

No chão encontrava-se um exemplar do jornal anarquista "Solidaried Obrera", onde Alfonso G., recolheu os despojos, e onde os mostrou os testículos a todos, como um troféu, inclusivé nalguns bares de Barbastro.

O bispo, lancinado pelas dores, foi então empurrado à praceta diante do edíficio, onde, sem consideração alguma foi levado ao camião que o levava à morte. "Obrigaram-no a ir pelo seu próprio pé, deixando um rasto de sangue por onde passava". Aos olhos daqueles homens, que odiavam a Santa Igreja e seus fiéis, não passava de um cão; mas aos olhos do Senhor e dos crentes, era a imagem viva, ensanguentada, e resplandecente de um novo mártir da nossa Igreja Católica.

O heróico prelado, que no dia anterior, 8 de agosto, tinha terminado uma novena ao Coração de Jesus, dizia em voz alta: "Que noite tão bela esta para mim: vou à casa do Senhor!". José Subías, de Salas Bajas, o único sobrevivente daquelas primeiras noites de cárcere de Barbastro ouviou os seus executores dizerem: "Bem vê que não sabe para onde o levamos!..." ao que o bispo respondia: "Vós levais-me à Glória! Eu vos perdoo. No Céu, pedirei por todos vocês..."

"Anda seu porco, depressa!" diziam os carrascos. "Por mais que me façais, eu vos hei-de perdoar" dizia o bispo. Um dos anarquistas golpeou-o furiosamente na boca com um azulejo, e lhe disse: "Toma lá a comunhão!". Extenuado, chegou ao lugar da execução, que foi no cemitério de Barbastro.

Ao recber a descarga das balas, os milicianos ouviram-no dizer: "Senhor, compadece-Te de mim". Mas o bispo não tinha ainda morrido. O arrastaram para cima de um monte de cadáveres, e depois de uma ou duas horas de uma agonia atroz, terminaram com a sua vida terrena com um tiro. "Não lhe deram o tiro de misericórdia, logo de imediato de propósito - disse mais tarde uma testemunha - deixaram-no morrer, com grandes hemorragias, de forma a que sofresse mais". Ouviam-no sussurar: "Senhor, não tardeis em me abrir as portas do Céu", "Senhor, não atrases o momento da minha morte e dá-me forças para resistir até ao último momento".


O Santo Padre João Paulo II, beatificou em Roma, este nosso irmão na Fé, o martirizado bispo de Barbastro D. Florentino Asensio a 04 de Maio de 1997.

Esta é a força da nossa Fé. Testemunho e Perdão. É até onde vai o nosso testemunho por Jesus Cristo e pela nossa Santa Igreja Católica. Beato Florentino Asensio Barroso, tu que estás na Glória de Deus, roga por mim, que sou um miserável pecador! Igreja paroquial do Beato Florentino Asensio, em Valladolid.


Mosaico do Beato Florentino Asensio, na capela da Sede da Conferência Episcopal espanhola.

Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

Seu tio foi assassinado pelos comunistas

Juan Antonio Martinez Camino, jesuíta, bispo espanhol, e porta-voz da Conferência Episcopal Espanhola, acaba de publicar um livro sobre a figura do seu tio sacerdote, mártir em 1936.


"Marxistas e anarquistas idealizaram um plano nos anos 30 do século XX em Espanha, para exterminar a Igreja. E o seguiram a ferro e fogo". Esta é uma das conclusões de D. Juan Antonio Martinez Camino, porta-voz da Conferência Episcopal Espanhola, e bispo auxiliar de Madrid, durante a apresentação do seu recente livro: "Don Lázaro: sacerdote y mártir de Cristo en Asturias (1872-1936)".


A obra conta a história de um seu tio, o sacerdote Lázaro San Martín Camino, um padre rural que se destacou nas Astúrias nos anos 30 do século XX, pela sua aposta na educação das classes desfavorecidas, e que foi fuzilado em Gijón durante os primeiros dias da Guerra Civil Espanhola. "A figura do Pe. Lázaro foi decisiva para a minha vocação sacerdotal", diz.



O bispo Martínez Camino não chegou a conhecer o seu tio, mas a sua família se encarregou de lhe transmitir o trabalho e a obra do sacerdote-mártir. O autor faz uma reflexão sobre o que aconteceu na europa a partir dos anos 30 com os católicos: "Muita gente diz que a maior perseguição da história ao cristianismo foi aquela que teve lugar em Espanha nos anos 30, do século XX. Mas não é possivel entender o que sucedeu em espanha, sem incluí-la dentro da grande perseguição do século XX".


O que D. Martinez Camino quis deixar claro é que as perseguições contemporâneas de cristãos "não deve entender-se como um fenómeno exclusivamente espanhol". E assinalou o ocorrido depois da queda da Russia dos czares em 1917: "A Revolução russa de 1917, colocou em marcha a maior maquinaria política persecutória que a Igreja teve de enfrentar", disse. Uma afirmação sustentada "pelos mais de 7,000 religiosos assassinados em Espanha, e os 200,000 mortos na URSS entre 1917 e 1980. A maior parte deles - 105,000 - foram fuzilados durante a época de Estaline", referiu.


Por isso, D. Martinez Camino não hesita em fazer seu um título de uma obra do Pe. Ángel Garralda, para assegurar que "o século XX foi o século dos mártires".

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Festa na Igreja: beatificação de 23 mártires no passado domingo 18 de dezembro

Dia de Alegria na Igreja: imagens do passado domingo, 18 de dezembro 2011, da beatificação na catedral de Madrid, de 23 mártires católicos da perseguição religiosa de 1936 em Espanha.



O cardeal Angelo Amato (italiano, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos) presidiu em Madrid à cerimónia de beatificação de 23 mártires da violenta perseguição religiosa de 1936, pertencentes todos à congregação dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada (OMI). A celebração, co-celebrada pelo Cardeal-Arcebispo de Madrid, Rouco Varela, teve lugar na catedral de La Almudena, na qual participaram numerosos bispos espanhóis; o superior-geral da congregação (Pe. Louis Lougen); acompanhados por alguns milhares de fiéis, e entre eles, vários familiares dos mártires (na fotografia, alguns deles levam as "palmas do martírio" ao altar).


Na sua homilia, O cardeal Amato lembrou brevemente a história dos seus sacríficios, para "avivar a chama do testemunho". Assim, reconheceu que durante a II República, em Espanha, e mais concretamente durante os primeiros meses da Guerra Civil - de julho a dezembro de 1936 -"desceu sobre Espanha uma fúria anti-religiosa que contaminou gravemente toda a sociedade, ao ponto de retirar dos corações, os sentimentos de bondade e fraternidade, tendo eles (os mártires) sido vítimas inocentes desse fanatismo anti-católico que imolou a sangue frio bispos, sacerdotes, consagrados, consagradas e leigos".


Para o Cardeal Amato, "mais de 7,000 são verdadeiros e autênticos mártires, mortos como os primeiros mártires da Igreja por ódio à Fé". Como destacou, os 23 mártires que agora se beatificaram, e que sofreram o seu martírio em Pozuelo, "não eram delinquentes, nem tinham feito nada de mal, pelo contrário, seu único desejo era fazer o Bem e anunciar o Evangelho de Jesus".


"Queremos recordar os nomes destes religiosos Oblatos porque a Igreja os ama e os honra", disse, sublinhando que "foram preciosas testemunhas da bondade da existência humana", embora pese "a crueldade dos seus perseguidores". "E o fizeram", prosseguiu, "sem armas, apenas com a força irresistível da Fé em deus. Eles venceram o Mal, essa é a sua mais preciosa herança de Fé".
E lembrou os nomes dos novos beatos da nossa Santa Igreja: Francisco Esteban Lacal, Vicente Blanco Guadilla, José Vega Riaño, Juan Antonio Pérez Mayo, Gregorio Escobar García, Juan José Caballero Rodríguez, Justo Gil Pardo, Manuel Gutiérrez Martín, Cecilio Vega Domínguez, Publio Rodríguez Moslares, Francisco Polvorinos Gómez, Juan Pedro Cotillo Fernández, José Guerra Andrés, Justo González Llorente, Serviliano Riaño Herrero, Pascual Aláez Medina, Daniel Gómez Lucas, Clemente Rodríguez Tejerina, Justo Fernández González, Ángel Francisco Bocos Hernando, Eleuterio Prado Villarroel y Marcelino Sánchez Fernández.


A estes 22 Oblatos, uniu-se no mesmo ato de generoso testemunho e fidelidade a Jesus Cristo, o leigo Cándido Castán San José, muito conhecido na aldeia de Pozuelo, pelo seu inequívoco testemunho católico.


O cardeal Angelo Amato recordou que "todos os religiosos foram detidos sem processo judicial, sem provas do quer que fosse, e sem possibilidade nenhuma de se defenderem". Pos isso, "é bom não esquecer esta tragédia e muito menos ainda esquecer a reação dos nossos mártires aos gestos malvados de seus assassinos. Eles responderam rezando, perdoando-lhes e aceitando com a força que só a Fé transmite, a morte por amor a Jesus". E é isto o que "os mártires nos ensinam, que o nosso testemunho do Evangelho passa não só por uma vida virtuosa, mas também, por vezes, pelo martírio".


Terminou, convidando os cristãos, todos nós, "a imitar a coragem dos mártires, a solidez da sua Fé, a imensidade do seu amor e a grandeza da sua esperança. Que possamos dar testemunho da Fé e da Verdade diante do mundo, e com o seu exemplo, possamos fortalecer nosso amor a Cristo, sua Igreja e aos missionários da nova evangelização em todo o mundo". "Que a Imaculada nos ajude a celebrar o Natal com um coração puro e santo".



Excelente video a não perder:
Missionários Oblatos de Maria Imaculada agora beatificados: